Entrevista para Revista PET Center 2021

  • O ano de 2020 e 21 foram muito desafiadores para o setor de distribuição em geral. Que aprendizados podemos tirar dessa fase e quais os benefícios que a pandemia trouxe ao setor de forma direta ou indireta?

Sem dúvida foi um ano atípico, obrigou todas as empresas, de modo geral, a repensar como manter o faturamento em meio as incertezas do segmento e em razão da queda do poder aquisitivo, redefinição de prioridades das famílias e o receio da perca do emprego.

O novo modelo de trabalho em home office, trouxe alguns aprendizados interessantes, quebrou alguns paradigmas que estavam resistentes ao longo de diversos anos. Perpetuar o negócio através de novas metodologias ou plataformas tecnológicas foi a maior preocupação nesse novo cenário. Entender que a forma presencial em um determinado ambiente não necessita ser o mais importante, definir momentos para este evento ou quando preciso me fazer presente, solicitar a presença pessoa(s) que possam contribuir ou ainda definir uma situação somente quando for de fato importante e necessário. Ha situações, como todos sabemos, que o fato de estar presente é determinante, inevitável e é isso que precisou ser repensado causando um impacto direto no modelo de negócio. Hoje estamos acostumando a tomar decisões, em diversos níveis, por vídeo conferência, entendo que muito ainda irá mudar para promover a praticidade.

Tal fato obrigou a rever os processos internos e externos, aperfeiçoar a visão de negócio e ver a logística aliada a tecnologia como ferramentas de grande ganho, realinhar o perfil dos clientes, tratando suas necessidades não como custo, mas sim como investimento para elevar o nível de serviço e fazer frente as dificuldades do momento, da concorrência e do planejamento. Indiretamente é um momento ímpar para fazer com que as empresas ou pessoas que orbitam em torno, participem com o mesmo empenho gerando credibilidade e ganho de escala em todos os níveis. Exemplo: imagine o seu estoque sendo gerenciado pelo fabricante, na cadeia de suprimentos, a supply chain, esse fato evitaria rupturas elevando consideravelmente o nível de serviço ao cliente. Preciso deixar claro que não é apenas este ponto que poderá contribuir para o resultado do serviço, trata-se de um conjunto de fatores, análise de diversos vetores para evidenciar e otimizar custos. É um conjunto de ações coordenadas, devidamente sincronizadas entre os diversos atores, então indiretamente obrigou a pensar abrangentemente com possibilidade de pedir colaboração de uma consultoria. Até então é relativamente fácil de entender, muitos estão se perguntando: se o meu negócio é distribuir como posso fazer melhor? Na LOGISC temos uma frase que representa muito bem esse momento em qualquer empresa, de qualquer segmento “se você tem metas, a LOGISC tem a metodologia”, esse é o ponto, metas e metodologia para atingi-los.

  • Que dificuldades os distribuidores têm passado desde o ano passado? Acredita que têm sido superadas já? O que foi preciso para o setor não entrar em colapso? Ou podemos dizer que vivenciamos um colapso pela grande demanda que a distribuição sofreu na pandemia?

Incialmente houve e ainda existe uma determinada crise de abastecimento em alguns setores, insumos faltam(ram) em função do lockdown e atendimento das determinações sanitárias e governamentais. Ninguém estava preparado para isso em nenhum lugar do planeta. Acompanhei de perto alguns países e constatei que tiveram uma pane nas prateleiras. Não foram apenas os insumos, devemos lembrar que as fronteiras e estradas fechadas ocasionaram uma corrida para estocar, logo, o mercado gerenciando as necessidades através dos seus modelos de produção normais, sentiram-se desafiados diante do novo cenário, produtores e/ou distribuidores, se viram obrigados a reavaliar a produção e a distribuição, exigiu da cadeia como um todo um esforço não planejado para reabastecer o mercado.

Aos poucos os produtores e distribuidores foram entendendo e superando os desafios da pandemia, realocando máquinas, estoques, pessoas, contratos de suprimentos e buscando apoio dos governos centrais para tentarem superar a crise. Observamos que ao redor do mundo os governos ofereceram diversas linhas de crédito para ajudar as empresas, entretanto podemos apontar que não foi o suficiente, muitos fecharam as portas por não terem a quem vender. Quero lembrar que o poder aquisitivo de forma geral caiu substancialmente.

Diante destes fatos a distribuição dos produtos, seja matéria prima ou produto acabado, sofreram enorme pressão devido a urgência de reposição. É interessante esse ponto, porque aqui existe uma contradição. Enquanto diversas empresas fecharam outras aumentaram sua produção ou venda, obrigando que a distribuição fosse extremamente eficaz, já que a falta de insumos ainda era observada. Operacionalmente as transportadoras ou empresas especializadas em last mile estavam também a espera das solicitações, aguardavam com suas frotas semi utilizadas o momento da coleta e transporte, havia capacidade de distribuição entre a produção e os pontos de armazenagem – distribuidores e o consumidor final. Peço novamente a atenção quanto a necessidade da determinação do nível de serviço.

A frase “vivenciamos um colapso”, contida na pergunta passa a impressão de afirmação, porém eu não enxerguei, em nenhum momento, colapso na rede de distribuição, estou me referindo ao operacional, agora se apontarmos para a produção, sim houve rupturas na cadeia.

  • Quais os desafios para a distribuição em 2022 em diante, nessa fase pós 1 ano de pandemia?

Percebo a importância e a necessidade de repensar os processos, investir na medida do possível em novos modelos de distribuição conceituando a aplicabilidade de softwares para gestão logística, visando a redução dos custos, otimização, embalagens, movimentação e recursos. Perguntas como: Eu preciso de um departamento de compras? Qual é a atividade fim do meu negócio? Será que eu posso terceirizar a minha operação ou parte dela? Enfim, são inúmeras perguntas que precisam de respostas apoiadas por empresas que facilitem a tomada de decisão, a LOGISC tem neste ponto um dos itens que compõe uma fase importante do diagnóstico para validação.

  • O que o empresário/distribuidor deve ter em mente para tocar seu negócio nos próximos anos? Que conselhos daria?

Diversos países, muitas vezes menor que o Brasil, possuem empresas com uma cultura muito bem definida e avançada com relação ao investimento em tecnologia e automação. A LOGISC assessorou uma grande companhia de varejo para um megaprojeto de automação do seu centro de distribuição, um dos dez maiores do Brasil. Isso reflete a visão do empresário em buscar velocidade de operação, acuracidade de estoque, pedidos completos e corretos, seja no envio ao distribuidor ou ao cliente final. Esse fato resulta em um giro muito mais rápido com consequente aumento do faturamento e otimização do custo de manter o estoque.

Tecnologias como transelevadores, AGV´s, sorter, robôs, RFID, entre outras, fazem parte de um conjunto de medidas que tendem a confirmar ou contribuir para um nível de serviço e excelência cada vez mais exigente. Vou dar um exemplo simples: imagine você, consumidor final, entrar em uma farmácia, não tem ninguém para atender, coloca a sua receita num scaner e em segundos ela é atendida e embalada, restando apenas você efetuar a leitura do seu cartão e/ou digitar seu código contribuinte, retira a sua embalagem e vai embora sem que tenha visto ou tido contato com qualquer atendente. Não resta dúvida que a aplicabilidade de toda essa tecnologia é bastante complexa. Uso esse argumento para ilustrar que se no ponto de venda posso investir nesse nível de tecnologia, então no distribuidor e na produção terei o mesmo conceito (não a aplicabilidade, já que cada caso é um caso, ou seja, cada projeto é totalmente personalizado a necessidade real do cliente).

O distribuidor / empresário precisa ao menos vislumbrar a possibilidade de contratar consultorias que possam efetuar um bom diagnóstico das suas operações e considerar o crescimento futuro desejado. Importante salientar que na modernização e implementação de novas tecnologias, sempre haverá redução da mão de obra, isso é um fato, porém pense nos resultados diretos e no impacto que o uso da tecnologia trará ao seu negócio, quais linhas de crédito poderá dispor, BNDES, FINAME, outras. O meu negócio suporta tal investimento para o futuro? Vamos a um outro exemplo bem simples: quem que na faixa dos 60 anos não assistiu os jetsons? Lá havia um robô que fazia toda a limpeza da casa, espanava, passava pano etc. O que temos hoje? Poucos de nós poderiam imaginar tamanha evolução num espaço de tempo tão curto. Isso precisa ser observado, “a logística baseada no tempo, esse é o ponto”. É totalmente factível ter um centro de distribuição sem nenhum humano na área, existindo apenas na coordenação ou gerenciamento dos comandos na operação. As condições de carga e descarga devem ser consideradas, porém se tenho veículos dimensionados corretamente e construídos para tal, também não preciso de operadores para a carga ou descarga. Devo lembrar que no mercado de veículos de passeio existem projetos onde são praticamente autônomos na condução, por enquanto os mais atuais possuem tal nível de tecnologia embarcada que a sensação de segurança e dirigibilidade com pouquíssima intervenção do motorista é fantástica, pura tecnologia.

  • No quesito software voltado para distribuição. O que é preciso avaliar na hora de optar pelo melhor software para a sua distribuidora?

Veja, a característica do negócio e objetivos presentes e futuros será o norte para essa escolha. Pontos como o tamanho do negócio, área de abrangência, armazenagem, separação de pedidos, nível de serviço desejado, modelo de distribuição e rede, são alguns dos fatores obrigatórios de análise, entre outras características a região e o que se espera alcançar. Não é algo do tipo “esse é o melhor do mundo, o mais utilizado, vamos comprar”. Você pode amargar um resultado totalmente desfavorável a necessidade da empresa em virtude do custo financeiro e do tempo perdido por ter tomado uma decisão sem um estudo prévio, análise de viabilidade e aderência ao seu negócio, correndo o risco de subdimensionar ou superestimar a sua necessidade. O projeto para aquisição necessita seguir alguns passos antes da tomada de decisão. Pontos importantes para considerar um WMS, TMS, ERP, Roteirização, BI, Previsão de Demanda, outros.

  • Nesse ano os softwares sofreram uma grande evolução? Em que sentidos?

A tecnologia, como sabemos, é uma constante evolução, no decorrer de um ano temos sempre novos lançamentos. As customizações de produtos que muitas vezes são resultados do aprimoramento para um cliente em potencial, cuja aplicabilidade e a necessidade do produto irá contribuir para maior credibilidade e aceitabilidade no mercado. A busca será sempre no sentido da velocidade e confiabilidade das informações, otimização e aderência aos diversos ERP´s ou softwares de apoio a uma determinada necessidade. Os softwares buscam a simplicidade e serem o mais amigável possível, a tal ponto de que o iniciante em nível de usuário não tenha dificuldade de operar, ou seja, se eu não entendo o meu colega poderá não entender também. O desenvolvimento precisa olhar o todo ou todos.

  • Hoje o que é preciso ter em mente para optar por um bom software?

São basicamente três perguntas.

O que eu quero?

O que eu preciso?

O que eu necessito para a empresa?

Três condições totalmente diferentes entre si.

Fonte: Francisco Moreno, Diretor de Projetos Logísticos, www.logisc.com.br , Revista PET Center – 2021.

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